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Telma Shimizu

  • Foto do escritor: Ana Beatriz
    Ana Beatriz
  • 6 de jan.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 8 de jan.

Delicadeza, rigor e a construção silenciosa de uma cozinha essencial.


À frente dos restaurantes Aizomê, nos Jardins e na Japan House São Paulo, além do Aizomê Café, Telma Shimizu construiu uma das trajetórias mais consistentes e respeitadas da gastronomia japonesa no Brasil. Seu trabalho nunca buscou ruído. Ao contrário: sempre se apoiou na precisão, no equilíbrio e na ideia de que a cozinha é, antes de tudo, expressão cultural.


Formada em um ambiente que valoriza técnica, repetição e disciplina, Telma transformou esses pilares em identidade própria. Sua cozinha respeita os fundamentos da tradição japonesa, mas dialoga com ingredientes locais, sazonalidade brasileira e uma estética que evita excessos. Cada prato carrega intenção, silêncio e clareza — nada está ali por acaso.


Ao longo de 18 anos à frente do Aizomê, Telma enfrentou os desafios naturais de manter um restaurante autoral em um mercado volátil, sem abrir mão de consistência. A expansão para a Japan House não foi apenas um novo endereço, mas um reposicionamento simbólico: ali, a gastronomia passa a atuar como ponte entre culturas, contando histórias por meio de ingredientes, gestos e rituais.



Associação Geral de Sushi do Brasil
Associação Geral de Sushi do Brasil

Esse olhar a levou a assumir também a curadoria dos almoços e jantares oficiais do Consulado do Japão em São Paulo, função que exige rigor absoluto, sensibilidade diplomática e profundo conhecimento cultural. O reconhecimento veio em 2021, quando Telma recebeu do governo japonês o título de Embaixadora para Difusão da Cultura e Culinária Japonesa — honraria rara, especialmente para uma chef brasileira e mulher.


Durante a pandemia, sua atuação extrapolou o restaurante. À frente do projeto Água no Feijão, Telma ajudou a distribuir mais de 250 mil marmitas, reforçando a ideia de que cozinha também é cuidado, estrutura e responsabilidade social.


Os prêmios acumulados ao longo dos anos — incluindo Chef do Ano, Melhor Profissional de Cozinha Japonesa e os múltiplos reconhecimentos ao Aizomê como Melhor Restaurante Japonês — funcionam menos como coroação e mais como confirmação de um percurso sólido, construído com tempo e coerência.


Telma Shimizu representa uma gastronomia que não grita, mas permanece. Uma cozinha que entende que inovação não está no excesso, e sim na capacidade de sustentar identidade, técnica e propósito ao longo do tempo.

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