Guilhotina Bar Completa 10 Anos e Reabre com Nova Cara — Mas com o Mesmo Espírito
- Ana Beatriz

- há 6 dias
- 3 min de leitura
Atualizado: há 3 dias
Quando o Guilhotina abriu as portas em dezembro de 2016 em Pinheiros, São Paulo, ninguém — nem mesmo os seus fundadores — sabia exatamente o que estava prestes a acontecer. A ideia era cortar o supérfluo e simplesmente se divertir — daí o nome, inspirado na guilhotina francesa: um bar que "cortasse toda a bobagem por trás do balcão". Em seis meses, já era finalista internacional. Em menos de três anos, estava na lista dos 50 melhores bares do mundo. Em 2026, completa uma década — e reabre reformado.
Londres, cachaça e o bar que não devia existir
Márcio Silva é do sul do Brasil, mas foi criado profissionalmente em Londres, onde começou a trabalhar como bartender em 1994. Passaram-se anos fora, uma carreira construída na Europa, uma temporada como embaixador global de cachaça e o Subastor — seu primeiro bar em São Paulo, aberto em 2009 — antes de chegar ao Guilhotina.
O bar nasceu de uma sociedade entre Márcio Silva, Rafael Berçot e Marcello Nazareth, que entrou na equipe depois que o par o convenceu a embarcar nessa jornada. A proposta era clara desde o início: misturar a eficiência americana com os rituais e a experiência europeia e a disciplina japonesa — algo que só faria sentido no Brasil, onde as influências do mundo inteiro já convivem naturalmente.
O slogan "Esvazie sua cabeça" não era marketing. Era uma declaração de intenção sobre o tipo de noite que o Guilhotina queria proporcionar: sem protocolo, sem formalidade, sem a distância entre bartender e cliente que caracterizava os bares mais sofisticados da cidade.
De Pinheiros para o mundo em tempo recorde
O que aconteceu nos anos seguintes foi rápido e consistente. Em 2017, o Guilhotina entrou para a lista dos 100 melhores bares do mundo. Em 2018, ganhou posições. Em 2019, chegou à 15ª posição no World's 50 Best Bars — o primeiro bar brasileiro a figurar nessa lista.
No mesmo ano, a revista Drinks International colocou Márcio Silva na 36ª posição entre as 100 pessoas mais influentes do mundo na indústria de bares — à frente de nomes históricos da coquetelaria global. O reconhecimento não era só do bar. Era do que o Guilhotina representava: a prova de que São Paulo tinha chegado ao mapa mundial da coquetelaria de autor.
Não por acaso, foi do Guilhotina que saiu Márcio Silva para criar o Exímia — hoje na 61ª posição do World's 50 Best Bars e um dos bares mais comentados da cidade. O legado do Guilhotina está presente em praticamente tudo que se fez de relevante na cena de bares paulistana na última década.
A reforma e o que muda aos 10 anos
Para celebrar a primeira década, o Guilhotina passa por uma reforma completa no layout, com reabertura prevista para maio de 2026. A intenção, segundo os sócios, é clara: tornar o espaço mais confortável, mantendo o mesmo espírito e o mesmo clima alegre que os frequentadores conhecem — mas elevando ainda mais a gastronomia.
É uma reforma que revela maturidade sem nostalgia. O Guilhotina não está tentando ser o que era em 2016 nem tentando ser outra coisa. Está tentando ser uma versão mais bem resolvida de si mesmo — o que, para um bar que ajudou a mudar a cena paulistana, faz todo o sentido.
Dez anos depois, o slogan continua o mesmo. A cabeça continua precisando ser esvaziada. E o balcão da Rua Costa Carvalho volta a receber quem sabe que um bom drink começa antes mesmo de o copo chegar à mesa.
%20(1).png)







Comentários