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Tuju e Evvai conquistam três estrelas Michelin e fazem história na gastronomia brasileira

  • Foto do escritor: Ana Beatriz
    Ana Beatriz
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Guia Michelin

Na noite de 13 de abril de 2026, no Belmond Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, a gastronomia brasileira atravessou uma fronteira que muitos achavam distante. O Guia Michelin anunciou os primeiros restaurantes três estrelas do Brasil — e da América Latina: o Tuju e o Evvai, ambos em São Paulo. O país que há décadas constrói uma cena gastronômica de alto nível chegou, nesta edição, ao patamar máximo de reconhecimento do guia mais influente do setor.


Três estrelas Michelin significam, na linguagem do guia, uma cozinha excepcional que vale uma viagem especial. Não é apenas distinção técnica — é a afirmação de que aquele restaurante pertence a uma categoria em que poucos endereços do mundo se enquadram.


O Tuju: biomas brasileiros como linguagem


O Tuju, do chef Ivan Ralston, é um projeto que sempre teve clareza sobre o que queria dizer. O restaurante serve menus degustação construídos a partir de imersões nos biomas brasileiros — Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica — usando ingredientes nativos como ponto de partida para uma cozinha autoral de alto nível técnico. A casa fechou as portas em 2020, reabriu em um novo endereço em 2023 com projeto arquitetônico que distribui os comensais por três andares marcados por jardins verticais, cada um com sua própria ambiência.


No palco da cerimônia, Ralston dividiu o reconhecimento com a equipe. "Temos a mania de personificar os feitos apenas na figura do chef. Parabenizo também a equipe. O chef é tão bom quanto a equipe." A pesquisadora Katherina Cordás, que atua no Tuju, completou: "Esse reconhecimento mostra que o Brasil deve, e pode, chegar onde e como quiser."


O Tuju também renovou a Estrela Verde, distinção que reconhece restaurantes com práticas sustentáveis consistentes — um reconhecimento que vai além do prato e abrange toda a cadeia produtiva.


O Evvai: italianidade brasileira em Pinheiros


O Evvai, em Pinheiros, é comandado pelo chef Luiz Filipe Souza e pela chef confeiteira Bianca Mirabili. A proposta é de cozinha italiana contemporânea e autoral que conecta ingredientes brasileiros com a memória da imigração italiana — uma intersecção que o Brasil conhece bem, mas que o Evvai traduz com um DNA próprio e inconfundível. Os menus degustação são reconhecidos por saírem do óbvio sem perder identidade.


"É um dos momentos mais lindos da gastronomia brasileira. Agradeço a todos que já passaram pelo Evvai e sou agradecido pela escola que criamos", disse Luiz Filipe Souza, visivelmente emocionado no palco da cerimônia.


Mais novidades da edição 2026


A noite não foi apenas sobre as três estrelas. O Madame Olympe, restaurante de Claude Troisgros no Rio de Janeiro, recebeu sua primeira estrela Michelin. A casa homenageia a mãe do chef e é liderada no dia a dia pela chef Jéssica Trindade. "Estou há 45 anos no Brasil e vi a gastronomia brasileira crescer de forma inacreditável", disse Claude ao receber o reconhecimento.


No campo do Bib Gourmand — distinção para restaurantes com excelente relação entre qualidade e preço — seis casas estrearam na seleção: Jiquitaia e Ping Yang Thai Bar & Food (que os leitores do Match já conhecem bem), Manioca JK, Tabōa Cozinha Artesanal, Tanit (todos em São Paulo) e Koral (Rio de Janeiro). Sete restaurantes entraram para a lista de Selecionados, incluindo o Makoto San, já perfilado aqui no site, e o Sushi Vaz, no Rio.


A edição também introduziu um prêmio inédito no Brasil: o Exceptional Cocktails Award, que reconhece a coquetelaria de alto nível dentro dos restaurantes. O primeiro a receber a honraria foi Anderson Oliveira, responsável pelo bar do D.O.M., em São Paulo. O prêmio de Jovem Chef foi para Pedro Coronha, do Koral, no Rio. O Prêmio de Serviço reconheceu Raphael Zanon, do Casa 201, também no Rio. E o Prêmio de Sommelier do Ano ficou com Robério de Sousa Queiroz, do Maní, em São Paulo — entregue pessoalmente pela chef Helena Rizzo.


O que essa edição representa


O Guia Michelin chegou ao Brasil em 2015. Passou por uma pausa entre 2020 e 2023 e retomou as avaliações em 2024, com contrato firmado até 2026 junto às prefeituras do Rio e de São Paulo. Em onze anos de presença no país — com pausas incluídas —, nenhum restaurante brasileiro havia alcançado as três estrelas. A edição de 2026 muda isso de forma definitiva.


O que Tuju e Evvai conquistaram não é apenas um número ao lado do nome. É a confirmação, por uma das vozes mais ouvidas do setor globalmente, de que a gastronomia brasileira chegou a um ponto em que não precisa mais pedir licença para ocupar espaço no mapa mundial.

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