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Histórias da culinária: a origem da esfirra

  • Foto do escritor: Tali Americo
    Tali Americo
  • há 2 dias
  • 1 min de leitura

A esfirra chegou ao Brasil muito antes de se tornar item fixo em cardápios de lanchonetes e redes de fast food. Sua origem remonta ao Oriente Médio, especialmente às regiões que hoje correspondem ao Líbano e à Síria, de onde vieram milhares de imigrantes entre o fim do século XIX e o início do XX.



Originalmente conhecida como “sfiha”, a preparação era simples: massa aberta com carne temperada por especiarias, muitas vezes consumida aberta, quase como uma pequena pizza. Ao chegar ao Brasil, no entanto, a receita começou a se transformar.


A adaptação não foi apenas de ingredientes, mas de lógica de consumo. A esfirra passou a ser fechada, mais prática para transporte e venda. Ganhou novos recheios — queijo, frango, calabresa — e se afastou, aos poucos, da rigidez da tradição para abraçar o gosto brasileiro por variedade.


Esse processo de transformação diz muito sobre a culinária nacional. A esfirra, como o kibe e o beirute, não foi apenas incorporada: foi reinterpretada. Tornou-se parte de um repertório urbano, acessível, democrático.


Hoje, ela vive entre dois mundos. De um lado, mantém suas raízes nas casas árabes tradicionais; de outro, se reinventa em versões populares, muitas vezes distantes da receita original. E talvez seja justamente essa dualidade que explique sua permanência: a esfirra no Brasil não é apenas um prato — é um exemplo claro de como culturas se encontram e se transformam à mesa.

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