Eduardo Ortiz
- Ana Beatriz

- 26 de fev.
- 3 min de leitura
Entre o México e o Brasil, Eduardo Ortiz construiu uma cozinha que não pertence exclusivamente a nenhum dos dois territórios — e, ao mesmo tempo, pertence profundamente a ambos. À frente do Metzi, em São Paulo, ele transformou fronteiras culturais em linguagem gastronômica, criando uma narrativa autoral que une memória, técnica e identidade latino-americana. Sua trajetória revela não apenas um chef em ascensão, mas um cozinheiro que encontrou no encontro de culturas o eixo do próprio trabalho.
Origem e formação

Nascido no México, Eduardo Ortiz cresceu imerso em uma tradição culinária marcada por ingredientes ancestrais, técnicas transmitidas por gerações e uma relação visceral com o território. A cozinha mexicana, reconhecida mundialmente por sua riqueza histórica, moldou seu repertório sensorial desde cedo. Ainda que detalhes públicos sobre sua formação acadêmica sejam discretos, sua construção profissional se deu dentro de cozinhas exigentes, onde disciplina e precisão técnica são fundamentos.
A mudança para o Brasil não significou ruptura, mas expansão. Ao atravessar fronteiras geográficas, Ortiz ampliou também seu olhar sobre ingredientes, sazonalidade e identidade. Foi nesse deslocamento que sua cozinha começou a assumir contornos mais autorais, marcada pela convivência entre referências mexicanas e insumos brasileiros.
Caminho profissional
Em São Paulo, Eduardo Ortiz encontrou terreno fértil para desenvolver sua proposta. Ao lado da chef Luana Sabino, fundou o Metzi, restaurante que rapidamente se consolidou como um dos mais relevantes da cena contemporânea brasileira.
O Metzi nasceu com uma ideia clara: transformar a cozinha em ponte entre México e Brasil. A casa não se limita a reproduzir receitas tradicionais, tampouco a fundi-las de maneira superficial. O trabalho é construído a partir de diálogo profundo entre técnicas, ingredientes e histórias pessoais. Milho e mandioca, pimentas mexicanas e ervas brasileiras, métodos ancestrais e estética contemporânea convivem em pratos que carregam narrativa.
O reconhecimento veio de forma consistente. O restaurante ocupa atualmente a 27ª posição no Latin America’s 50 Best Restaurants, consolidando-se entre os principais endereços gastronômicos do continente. Em paralelo, Eduardo Ortiz e Luana Sabino receberam uma faca no The Best Chef Awards 2025, distinção que reforça a relevância internacional do trabalho desenvolvido em São Paulo.
Identidade e estilo
A cozinha de Eduardo Ortiz é construída a partir da escuta. Escuta do território, dos ingredientes e das histórias que cada cultura carrega. Sua assinatura não está na exibição de técnica pela técnica, mas na forma como estrutura o diálogo entre dois países que compartilham raízes indígenas, diversidade agrícola e potência cultural.
No Metzi, o milho pode surgir reinterpretado à luz de ingredientes brasileiros; a acidez, elemento central da culinária mexicana, encontra novos caminhos ao dialogar com frutas tropicais; técnicas tradicionais são revisitadas sem perder respeito à origem. O resultado é uma cozinha contemporânea que não apaga identidades, mas as coloca lado a lado.
Ortiz integra uma geração de chefs latino-americanos que entendem a gastronomia como expressão cultural e política. Ao escolher trabalhar com produtos locais e sazonais, reforça a importância do território. Ao cruzar repertórios, evidencia que a América Latina pode dialogar consigo mesma sem recorrer necessariamente a referências externas.
Reconhecimento e impacto
O reconhecimento internacional do Metzi projeta o trabalho de Eduardo Ortiz para além do eixo Brasil-México. Estar entre os melhores restaurantes da América Latina não apenas valida uma proposta autoral, mas confirma que a narrativa construída na casa encontra ressonância no cenário global.
A premiação no The Best Chef Awards 2025 reforça essa visibilidade. Mais do que um troféu, trata-se de um indicativo de que a cozinha desenvolvida por Ortiz dialoga com tendências contemporâneas sem perder identidade.
Sua participação em eventos como o Mesa Tendências, onde apresentou o tema “Metzi, a cozinha como ponte entre México e Brasil”, evidencia também seu papel como articulador de pensamento gastronômico. Ali, a cozinha deixa de ser apenas prato servido e passa a ser discurso, reflexão e construção cultural.
Eduardo Ortiz consolidou, em São Paulo, uma cozinha que ultrapassa geografias. Ao unir México e Brasil à mesa, construiu mais do que um restaurante de destaque: estruturou um projeto de identidade latino-americana traduzido em sabores. Sua trajetória demonstra que a gastronomia contemporânea pode ser território de encontro — e que, quando culturas dialogam com respeito e profundidade, o resultado transcende fronteiras.
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