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O café não quer mais ser especial
Tem uma coisa curiosa acontecendo com o café no mundo e não tem nada a ver com modismo, hype ou aquela obsessão técnica que tomou conta da última década. O café cansou de tentar ser especial o tempo todo. Depois de anos sendo analisado como se fosse vinho raro, tratado com reverência quase científica, ele fez o movimento mais elegante possível: voltou a ocupar espaço. Não o espaço da xícara perfeita, mas o da vida real. Os números são menos poéticos, mas contam bem a história


A alta do café e o país que começa a perder acesso ao próprio símbolo
Durante décadas, o café ocupou no Brasil uma posição tão cotidiana que parecia escapar à própria percepção nacional. Estava na mesa antes do trabalho, na garrafa térmica dos escritórios, no balcão das padarias, nas cozinhas silenciosas das madrugadas domésticas e nos pequenos rituais de pausa que organizavam discretamente o ritmo do dia. O brasileiro talvez jamais precisasse pensar profundamente sobre o café justamente porque ele sempre esteve ali, disponível, barato o sufici


Cafeterias híbridas: a nova vida social das cidades após a pandemia
Durante muito tempo, o café ocupou nas grandes cidades uma função simples e quase utilitária. Entrava-se numa cafeteria para beber rapidamente uma xícara quente antes do trabalho, encontrar alguém por poucos minutos ou interromper brevemente o ritmo acelerado da rua. O café era intervalo. Pausa curta. Permanência mínima. Mas as cidades mudaram. E, silenciosamente, os cafés mudaram junto com elas. Em São Paulo, sobretudo após a pandemia, começou a surgir uma nova geração de ca
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